Cefaleias: conheça os principais tipos de dor de cabeça e saiba quando procurar ajuda

Por Dr. Silvino Teles Flho

Dor de cabeça não é tudo igual. A localização, a intensidade, a duração e os sintomas associados podem indicar diferentes tipos de cefaleia — e reconhecer essas características é importante para escolher o tratamento adequado.

🧠 1. Enxaqueca (migrânea)

É uma das formas mais comuns de cefaleia e pode causar uma dor pulsátil, moderada a intensa, frequentemente de um lado da cabeça.

Pode estar acompanhada de:

* Náuseas ou vômitos;

* Sensibilidade à luz, sons ou cheiros;

* Piora com atividades físicas;

* Alterações visuais ou outros sintomas neurológicos, conhecidos como aura, em algumas pessoas.

A enxaqueca pode durar de algumas horas a vários dias e pode comprometer significativamente a rotina e a qualidade de vida.

🔨 2. Cefaleia do tipo tensional

É frequentemente descrita como uma sensação de pressão, aperto ou peso na cabeça, como se houvesse uma faixa comprimindo o crânio.

Geralmente é bilateral e pode estar relacionada a fatores como estresse, tensão muscular, privação de sono e hábitos inadequados.

Ao contrário da enxaqueca, normalmente não provoca náuseas importantes e tende a apresentar menor intensidade.

⚡ 3. Cefaleia em salvas

É uma cefaleia menos frequente, porém extremamente intensa.

A dor costuma ocorrer ao redor de um olho ou na região temporal, geralmente de um único lado. As crises podem ser acompanhadas de:

* Lacrimejamento;

* Vermelhidão ocular;

* Congestão ou secreção nasal;

* Queda da pálpebra;

* Agitação durante a crise.

As crises tendem a ocorrer em períodos, frequentemente em horários semelhantes, podendo se repetir várias vezes ao dia.

💊 4. Cefaleia por uso excessivo de medicamentos

Pode ocorrer quando medicamentos utilizados para aliviar a dor de cabeça são usados de forma frequente.

Nesse cenário, a própria utilização repetida de analgésicos ou medicamentos específicos para crises pode contribuir para a cronificação da cefaleia, criando um ciclo difícil de interromper.

Por isso, não basta apenas tratar a dor: é fundamental avaliar a frequência das crises e o consumo de medicamentos.

🩺 5. Cefaleias secundárias

Nem toda dor de cabeça é uma cefaleia primária. Algumas são consequência de outras condições, como infecções, alterações vasculares, traumatismos, hipertensão intracraniana ou outras doenças neurológicas.

Alguns sinais exigem avaliação médica imediata, especialmente quando a dor:

⚠️ surge de forma súbita e extremamente intensa;

⚠️ é diferente do padrão habitual;

⚠️ aparece após um traumatismo;

⚠️ está associada a febre, rigidez na nuca, confusão, desmaio ou convulsão;

⚠️ vem acompanhada de fraqueza, alteração da fala ou perda visual;

⚠️ ocorre durante a gestação ou no período pós-parto;

⚠️ apresenta mudança progressiva de padrão ou intensidade.

Afinal, toda dor de cabeça precisa de investigação?

Não. Muitas cefaleias são condições primárias e podem ser diagnosticadas clinicamente. Entretanto, dor de cabeça frequente, incapacitante ou com características diferentes do habitual merece avaliação especializada.

O diagnóstico correto permite diferenciar os tipos de cefaleia, identificar possíveis fatores desencadeantes e definir estratégias de tratamento e prevenção.

Dor de cabeça não deve ser simplesmente “normalizada”. Quando ela interfere na sua vida, é hora de investigar.

Silvino Teles Filho

Médico pós Graduado em Psiquiatria,Neurologia Clínica e Medicina da Dor

@drsilvinoteles 

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