Prefeitos de PE aprovam teto de R$ 350 mil para cachês de artistas em festas públicas

Os prefeitos presentes na assembleia da Associação Municipalista de Pernambuco (Amupe), nesta terça-feira (17), aprovaram a criação de um teto de R$ 350 mil para cachês de artistas contratados para festas públicas em 2026.

O prefeito de Belo Jardim, Gilvandro Estrela (União Brasil), criticou o pagamento de altos cachês a artistas em eventos públicos. Durante discurso, ele citou valores recebidos por cantores como Wesley Safadão e Gusttavo Lima e afirmou que, em seu município, não haveria contratação nesses patamares.

“Não vou deixar o povo passar necessidade para pagar R$ 1 milhão para uma banda”, declarou o prefeito.

A fala ocorreu durante a posse de Pedro Freitas (PP) como presidente da Associação Municipalista de Pernambuco (Amupe), em um momento de debate entre gestores sobre os custos de contratações artísticas. No mesmo encontro, os prefeitos aprovaram a criação do teto de R$ 350 mil como referência para eventos municipais.

De acordo com levantamento da Amupe, 149 prefeitos participaram da pesquisa e 143 concordaram com o tabelamento. O valor não será obrigatório e funcionará como orientação para evitar aumentos nos cachês pagos pelas prefeituras.

A associação informou ainda que, em 2025, apenas 1% dos cachês pagos foram superiores a R$ 600 mil, enquanto a média geral ficou entre R$ 200 mil e R$ 250 mil.

Durante a assembleia, os prefeitos votaram primeiro a criação de um teto e, em seguida, o valor sugerido. O então presidente da Amupe, prefeito Marcelo Gouveia (Podemos), explicou a proposta aos gestores e afirmou que a medida busca estabelecer um parâmetro sem retirar a autonomia das administrações municipais.

“Isso vai ser um parâmetro para a gente tentar frear isso, organizar isso e ao mesmo tempo não cortar também a liberdade de quem tem condições”, afirmou.

Durante a reunião, prefeitos também reconheceram que a concorrência entre municípios contribui para a elevação dos valores cobrados pelos artistas.

Monitoramento do MPPE

A discussão sobre os gastos com festas ocorre em meio ao acompanhamento do Ministério Público de Pernambuco (MPPE). O órgão mantém uma plataforma pública que permite acompanhar os gastos das prefeituras com eventos e festividades, com o objetivo de ampliar a transparência e o controle dos investimentos.

Dados divulgados anteriormente indicam que algumas cidades chegaram a gastar mais de R$ 2 milhões em festas, o que intensificou o debate sobre limites e critérios para a contratação de artistas.

Presente na reunião, o procurador-geral de Justiça de Pernambuco, José Paulo Cavalcante Xavier, afirmou que o objetivo do Ministério Público é orientar as gestões.

“Não significa que aqueles que pegar em condições e eventualmente ultrapassar esse valor e depender a depender da festa do tamanho do município e da saúde financeira do município, pode ser feito e se justifica nesse sentido”, disse.

Ele destacou que as recomendações foram aprovadas como diretrizes e poderão ser ajustadas ao longo do tempo, conforme a experiência das prefeituras.

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