O número de homicídios em Pernambuco voltou a crescer em julho, após três meses seguidos de redução, entre março e junho deste ano. Os dados serão anunciados oficialmente na próxima terça-feira (15) pela Secretaria de Defesa Social (SDS), mas sabe-se que o mês passado teve cerca de 440 assassinatos no Estado, contra 380 ocorridos em junho. Um aumento de 15,7%.
Também entrará para a conta do Pacto pela Vida (PPV) mais um recorde negativo: será o pior mês de julho desde a criação da política pública, em 2007. No ano passado, por exemplo, o mesmo mês terminou com 346 homicídios. O melhor julho foi o de 2012, quando foram notificados 222 mortes violentas intencionais, praticamente a metade do que foi observado no mês passado.
Nem mesmo as fortes chuvas que castigaram o Grande Recife durante o mês passado foram suficientes para diminuir o índice. Em épocas chuvosas, é comum haver uma menor movimentação nas ruas e, consequentemente, uma queda nas operações do tráfico de drogas. Segundo a SDS, cerca de 70% dos assassinatos que ocorrem no Estado têm relação direta com o comércio ilegal de entorpecentes, seja pela cobrança de dívidas ou disputas territoriais, entre grupos criminosos rivais, por pontos de venda.
O índice de aproximadamente 440 homicídios quebra uma sequência em que o número saiu de 551 mortes em março – o mais alto nos dez anos de Pacto pela vida – para 380 em junho. Os seis primeiros meses deste ano representam o pior primeiro semestre desde a criação do PPV: foram 2.876 homicídios, contra 2.063 registrados em 2016. A melhor marca aconteceu em 2013 – ano de melhores resultados do PPV – quando os primeiros seis meses terminaram com 1.601 mortes violentas intencionais.
Somando-se a estimativa de homicídios em julho aos seis primeiros meses deste ano, chega-se a um total de 3.316 assassinatos. Em sete meses, este índice já é maior que o registrado durante todo o ano de 2013: 3.100 pessoas vítimas da violência. Se a tendência for mantida, Pernambuco pode, pela primeira vez, no final de 2017, chegar à triste marca de 5 mil assassinatos em um ano. Em 2016 foram 4.479, um total que só não é pior que os 4.634 homicídios notificados em 2006, último ano do governo Jarbas Vasconcelos/Mendonça Filho. O Pacto pela Vida foi criado no ano seguinte, durante a primeira gestão de Eduardo Campos.
(JC-Online)
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