Sem fazer um pronunciamento público sobre o tarifaço de 25% imposto pelos Estados Unidos, o presidente Luiz Inácio Lula da Silva concentrou sua reação nas redes sociais. Após uma sequência de publicações feitas nos últimos dias, o petista voltou a defender o Pix nesta sexta-feira. Lula publicou um card com a frase “Ninguém vai fazer a gente mudar o Pix. É público, é de graça e vai continuar assim”, acompanhado da legenda: “Nossa soberania não se negocia. Ninguém vai mudar o nosso Pix”.
A publicação reforça a estratégia do Planalto de transformar o Pix em símbolo da resposta brasileira à medida americana. Enquanto Lula se manifestava pelas redes, as declarações oficiais à imprensa ficaram a cargo do vice-presidente Geraldo Alckmin e do chanceler Mauro Vieira.
A reação presidencial começou ainda na quinta-feira, depois da divulgação da nota oficial da Presidência. Em uma das primeiras mensagens, Lula publicou a imagem de uma mão sobre a bandeira do Brasil com a frase:
“Proteger a nossa soberania é uma obrigação que está acima de todos os partidos e todas as tendências. O governo brasileiro não vacilará em seu dever de preservá-la.”
A escolha do Pix como peça central da reação não é casual. O sistema de pagamentos do Banco Central do Brasil aparece entre os pontos citados na investigação comercial americana que embasou a tarifa, aberta com base na Seção 301 da legislação de comércio dos EUA.
Na nota divulgada em resposta, o Planalto classificou as críticas ao Pix como “descabidas” e definiu o sistema como “um patrimônio do nosso povo e referência internacional de infraestrutura pública digital”.
Silêncio público e cautela no Planalto
Integrantes do governo relatam que eventuais manifestações do presidente vêm sendo calibradas com cautela, em meio às restrições do período eleitoral e ao receio de questionamentos na Justiça Eleitoral.
Segundo auxiliares, o formato da resposta ao tarifaço foi discutido ao longo da manhã desta quinta-feira. Entre as alternativas avaliadas estavam uma coletiva de imprensa com ministros e uma manifestação pública do presidente. A orientação, porém, foi concentrar as falas institucionais em ministros e evitar uma declaração presencial de Lula no Palácio do Planalto.
A preocupação é compartilhada pela Secretaria de Comunicação Social e pela Advocacia-Geral da União, que ampliaram a revisão de materiais de divulgação do governo, inclusive publicações de ministros. Auxiliares afirmam que a intenção é reduzir riscos de interpretações de infração à legislação eleitoral.
Ao mesmo tempo, aliados de Lula avaliam que a oposição bolsonarista deve monitorar eventuais deslizes em manifestações de integrantes do governo para levar questionamentos ao Tribunal Superior Eleitoral.
Da FolhaPE
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