Nos bastidores da política pernambucana, intensificam-se as conversas entre aliados da governadora Raquel Lyra (PSD) e do senador Humberto Costa (PT) com o objetivo de definir o cenário eleitoral de 2026. A principal pauta das negociações é a busca pela neutralidade do presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT) na disputa pelo Governo de Pernambuco, evitando sua participação direta na campanha estadual ao lado do adversário de Lyra .
De acordo com interlocutores ouvidos pelo jornal O POVO, o entendimento discutido prevê que, embora o PT mantenha seu apoio formal à candidatura de João Campos (PSB) ao Palácio do Campo das Princesas, Lula não viria a Pernambuco para fazer campanha ao lado do atual prefeito do Recife. Essa estratégia visa preservar a governadora de um embate direto com a figura presidencial, que possui forte influência no estado .
A prioridade do PT nacional, segundo aliados de Humberto Costa, é assegurar a reeleição do senador em 2026. Diante da expectativa de um fortalecimento da bancada bolsonarista no Congresso a partir de 2027, o partido busca garantir a permanência de seus representantes na Casa Alta. A direita, com nomes como Marcel van Hatten (Novo-RS) e Deltan Dallagnol (Novo-PR), almeja eleger um número expressivo de parlamentares para abrir processos de impeachment contra ministros do Supremo Tribunal Federal (STF) .
Humberto Costa tem ampliado o diálogo com diversos grupos políticos em Pernambuco, incluindo integrantes da base da governadora Raquel Lyra, tanto no interior quanto na Região Metropolitana do Recife. Estima-se que, dos 140 prefeitos que apoiam Lyra, cerca de 60 já estariam alinhados com o senador. Essa aproximação busca reduzir o risco eleitoral de Costa em uma disputa pelo Senado, onde Marília Arraes (PDT) aparece liderando as pesquisas de intenção de voto .
Para evitar que parte do eleitorado divida os votos entre um nome da oposição e outro ligado ao governo estadual, prejudicando sua reeleição, Humberto Costa estaria trabalhando para retirar da disputa pelo Senado o deputado Túlio Gadêlha (PSD). Nas conversas com a governadora, tanto no Recife quanto em Brasília, o senador teria tratado da possibilidade de Gadêlha desistir do Senado e buscar a reeleição para a Câmara dos Deputados .
Interlocutores próximos às negociações indicam que a contrapartida política para esse rearranjo seria a neutralidade de Lula na campanha estadual. Apesar de o presidente já ter gravado um vídeo declarando apoio a João Campos, a expectativa é que ele não participe presencialmente da campanha em Pernambuco, o que seria um alívio para a campanha de Raquel Lyra .
Fonte: O Povo
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